Visitando o Brasil, depois de 4 anos morando fora!
- Sheila Ghiasson

- 24 de jan.
- 3 min de leitura

Depois de quatro anos morando entre o Canadá e a Irlanda, eu finalmente voltei ao Brasil. Não para ficar (ainda), mas para algo igualmente importante: visitar minha família. Escolhi, sem nem pensar duas vezes, o melhor mês possível. Dezembro. Natal. Final de ano. Verão.
Eu sentia falta do sol de um jeito quase físico. Do calor que não vem só do clima, mas das pessoas. Do corpo que relaxa sem pedir desculpa, da pele que lembra quem ela é quando não precisa se esconder nos casacos. Voltar ao Brasil foi como reaprender a habitar o próprio corpo.
As conversas atravessadas na sala, as risadas altas, os silêncios que não incomodam. Aquela sensação de pertencimento que a distância tenta, mas nunca consegue, apagar por completo.
E, como se tudo isso já não fosse suficiente, conheci minha linda sobrinha. Ela completou cinco meses quando a vi pela primeira vez. Cinco meses de vida, e eu quatro anos longe. Segurá-la no colo foi um choque : o tempo passou, a vida aconteceu, e ainda assim havia algo profundamente meu ali. Um lembrete silencioso de tudo o que continuo perdendo e de tudo o que ainda me espera.
Essa viagem não foi só uma visita. Foi um reencontro. Com pessoas, com afetos e com uma versão de mim que só existe quando piso em casa.

Assim que entrei na nossa casa, senti algo que é difícil explicar. Ali sempre foi o lugar onde eu me senti eu mesma. O acolhimento, a família unida, meus irmãos, meu gato de estimação… coisas simples, mas que a vida de imigrante não costuma permitir. Lá fora não tem esse sol todos os dias, não tem calor extremo, não tem quintal com churrasco em familia, não tem animal de estimação com facilidade, não tem a família por perto. E durante um mês e vinte dias no Brasil, eu pude viver tudo isso outra vez.
A vida também nos cobra. Nesse tempo longe, perdi minha gatinha da família. Perdi minha nona... São dores silenciosas que quem mora fora tem que aprender a carregar. A gente paga um preço alto por estar longe das nossas origens, das pessoas que amamos. Mesmo assim, sou profundamente grata pela oportunidade que tive e por ter vivido essas férias com tanta intensidade.
Quando você volta, percebe coisas que o tempo fez enquanto você não estava. Os pais cada ano mais velhos, os irmãos já não são os mesmos. Minha irmã mais nova virou mãe, dona da sua própria empresa. Meu irmão caçula hoje é um homem independente. Meus pais seguem firmes, se esforçando, crescendo e isso me enche de orgulho. Orgulho de onde vim e de onde estou hoje.
Já são nove anos morando fora, desde 2016, quando deixei o Brasil para fazer intercâmbio. E toda vez que retorno, percebo algo importante: a versão de mim que ficou lá nunca desapareceu. Ela sempre esteve aqui dentro.

Essa versão corajosa, cheia de sonhos. Aquela que saiu de um lugar pequeno no Brasil, mas sabendo o quão grandes eram seus sonhos. É ela que me faz voar com asas próprias, viajar o mundo, explorar culturas, destinos e horizontes. É ela que me lembra quem eu sou, não importa onde eu esteja.
Depois de muitos anos, eu voltei.E, de alguma forma, nunca deixei de estar.
Obrigada a todos que fizeram parte desses reencontros!!!
Brazil, Dezembro 2025 -
Janeiro 2026
@lifebysheila













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